Você sabe o que é melatonina? Saiba tudo sobre o hormônio do sono
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Muita gente já deve ter ouvido falar da melatonina. Ela ficou famosa pelo mundo por causa dos seus efeitos milagrosos. Conhecida como o hormônio do sono, ela é a responsável por regular nosso relógio biológico. Acontece que essa não é a única função desse hormônio e, também por isso, ele acabou ficando tão famoso.

Neste artigo você vai ver tudo o que precisa saber sobre a melatonina: suas funções, como foi descoberta, os benefícios para o corpo e quais são as recomendações de consumo. Se esse é um assunto que você quer conhecer melhor, continue lendo!

1. O que é melatonina e qual é a sua função?

A melatonina é um hormônio produzido na glândula pineal. Essa glândula fica localizada bem no meio do cérebro, entre os dois hemisférios. Durante o dia, a glândula pineal fica inativa. É no período da noite, no escuro, que ela trabalha produzindo a melatonina.

A principal função da melatonina é regular o sono. Nosso corpo funciona em ciclos de 24 horas (ciclo circadiano) e, dentro desse ciclo, temos períodos de alerta e de sonolência. A melatonina age como um neurotransmissor, indicando pro corpo que é hora de dormir.

A produção de melatonina começa no entardecer e atinge o pico de produção entre 23h e 3h. Após atingir o pico de produção, ela cai rapidamente. Por volta das 8h, ela atinge seus níveis mínimos e permanece assim até o final da tarde, quando recomeça a produção.

Justamente por ter uma função tão importante na regulação do sono é que a melatonina ficou conhecida como hormônio do sono. Mas essa não é sua única função. Ela também atua na regulação do metabolismo, tem função antioxidante, regula as funções do sistema endócrino e melhora o sistema cardiovascular (principalmente em relação à pressão arterial).

Como ela foi descoberta?

Em 1729, um astrônomo francês chamado Jean-Jacques De Mairan suspeitava que os organismos vivos possuíam uma espécie de agenda interna, que controlava os ciclos de sono e vigília. Ele começou a observar uma planta, Mimosa pudica (conhecida também como “dorme-dorme” ou “dormideira”), que fecha as folhas durante a noite e abre durante o dia.

Ao observar a planta, ele pensou que isso acontecia por causa da presença de luz. Pra comprovar sua teoria, ele colocou a planta dentro de um baú escuro e percebeu que a planta continuava o ciclo de abrir e fechar as folhas, mesmo sem a luz. Com isso, ele concluiu que alguma substância fosse responsável pelo comportamento.

A mesma coisa acontece com nós, humanos. A presença da luz estimula ou inibe a produção de melatonina, mas mesmo vivendo em ambientes fechados conseguimos manter o ciclo de sono e vigília. No caso de tempo prolongado, os ciclos sofrem alterações e, assim, acontecem os distúrbios relacionados ao hormônio.

Apenas em 1958, o dermatologista Aaron Lener descobriu o que era isso. Enquanto pesquisava uma cura para o vitiligo (uma doença de pele causada pela falta de melanina), ele descobriu o hormônio do sono. Por achar que ele estava relacionado com a melanina, deu o nome de melatonina. Apesar da semelhança no nome, melatonina e melanina não têm nada a ver um com o outro.

Sua comercialização começou entre os anos 60 e 70. Nos anos 90, teve uma explosão no consumo de melatonina, quando ela ficou famosa. Ela ficou famosa por causa de um livro lançado em 1995, que apresentou a melatonina como uma fonte da juventude, que diminui o estresse, regula o sono e o ritmo biológico e também combate o câncer. Com tantos benefícios, ela caiu no gosto da população.

Hoje já conhecemos vários benefícios reais que a melatonina pode trazer e outros ainda estão sendo estudados.

A melatonina sintética

A produção de melatonina pra comercialização surgiu como uma alternativa aos remédios comumente usados no tratamento da insônia. Por ser uma substância naturalmente produzida pelo corpo, ela não oferece os mesmos riscos e nem os mesmos efeitos colaterais de remédios como Clonazepam, Lorazepam, Zolpidem e outros.

Quem vai aos Estados Unidos fica alucinado com a quantidade de marcas e opções disponíveis de melatonina. Ela pode ser encontrada facilmente em farmácias e supermercados, diferente do Brasil, onde só é possível encontrar em farmácias de manipulação ou com pessoas que trazem de fora.

Por não ser considerada um remédio e sim um suplemento alimentar, não existe uma fiscalização sobre a produção e comercialização nos EUA. Isso gerou alguns problemas, como a propaganda enganosa, falta de controle sobre as dosagens, contaminação de amostras e presença de substâncias ocultas na fórmula.

No Brasil e na União Europeia, pra evitar esses problemas, a melatonina é tratada como um remédio. Sua produção e comercialização são rigidamente controladas. No Brasil, por enquanto, é permitida apenas a venda em farmácias de manipulação.

A fiscalização é importante pra manter o controle e segurança dos remédios vendidos. Por exigir artigos científicos que comprovem a segurança e eficácia, isso garante a veracidade das informações divulgadas.

2. Por que ela é tão importante para o corpo?

Nosso corpo trabalha em ciclos. O mais importante deles é o ciclo circadiano, que corresponde a 24 horas. Ele é regulado pelos momentos de claridade e escuridão. Além do sono, o metabolismo, secreção de hormônios e outras funções do corpo ocorrem de acordo com ele. Ele funciona como um relógio, mostrando pro corpo quando deve fazer o que.

Em 2017, três americanos ganharam o Prêmio Nobel de Medicina por sua pesquisa sobre o relógio biológico. Ele é tão importante para o corpo que seu descontrole está associado ao aumento de risco para o aparecimento de doenças, como o câncer de mama.

Como o relógio biológico é essencial pra vida, a melatonina tem um papel essencial no nosso corpo também. Ela tem sido cada vez mais estudada, pra entender todas as suas funções e interações. Quando essas coisas forem descobertas, vamos entender todos os seus benefícios e, quem sabe, encontrar a cura pra algumas doenças ou, pelo menos, uma maneira de melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Por ter funções de regulação, ela é considerada um hormônio de proteção. Por meio da regulação dos ciclos de sono e vigília e do metabolismo, ela garante que nosso corpo se acostume com as mudanças de clima, estações e ambientes. No inverno, por exemplo, quando as noites são mais longas, a produção de melatonina também é maior.

Por ter sua produção associada com o escuro, ela regula os períodos de sono e vigília. Como já falamos, a glândula pineal libera a melatonina no escuro e fica inativa na claridade, o que evita problemas com insônia ou sonolência durante o dia. Mas alguns fatores podem desregular esse controle interno — veremos isso nos próximos tópicos.

É importante falar que, apesar de ser essencial na regulação do sono, problemas como insônia não dependem exclusivamente da concentração de melatonina. O estresse e outros fatores podem atrapalhar o sono mesmo quando existe uma boa produção dela.

A regulação do sono é muito essencial para o corpo, pois enquanto a gente dorme é que acontece a liberação de hormônios e o crescimento celular. Esse é o momento de recuperação do corpo. Por isso, noites mal dormidas podem desregular o metabolismo e o ciclo circadiano, causar cansaço excessivo, depressão, falhas na memória e outros problemas.

Quem pratica atividades físicas também precisa ficar de olho nesse hormônio. Ele faz diferença no ganho de resultados pra hipertrofia e emagrecimento. Então, não basta controlar a alimentação e treinar, é preciso dormir bem.

Pra quem tem o objetivo de ganhar massa magra, o sono é uma das bases. A hipertrofia depende de um tripé: dieta, treino e repouso. Durante a noite, acontece a liberação de GH, o hormônio do crescimento. Ele é responsável pelo crescimento celular, inclusive das células musculares. Isso significa que se você treinar e comer direito, mas não dormir, vai ser muito mais difícil alcançar os resultados desejados.

Quem tem o objetivo de emagrecer também deve ficar de olho na qualidade do sono. Estudos mostram que noites mal dormidas aumentam a concentração do hormônio ghrelina, responsável pela fome, e diminui a concentração de leptina, que é o hormônio responsável pelo controle do apetite. Ou seja, dormindo mal, nós comemos mais e, com isso, podemos engordar.

Além disso, uma noite em claro ou com sono picado pode trazer alterações no humor. Você já deve ter percebido que quando dorme mal tende a ficar mais mal humorado no dia seguinte, né!?

3. Quais os benefícios da melatonina para o organismo?

Diversos estudos têm sido conduzidos pra identificar os benefícios que a melatonina traz para o corpo e muitos deles pesquisam os efeitos da melatonina natural, produzida pelo corpo.

Os estudos feitos com suplementação de melatonina ainda não encontraram consenso em todos os pontos, como os possíveis benefícios desse hormônio para o corpo. Isso acontece porque a forma como essas pesquisas foram conduzidas, as dosagens e a qualidade do suplemento podem influenciar nos resultados.

Vamos ver agora alguns benefícios que estão sendo estudados pela ciência, sobre os quais já existem alguns relatos.

Regula o sono

O principal efeito da melatonina é regular o sono, combatendo a insônia e outros distúrbios. Ela age dessa maneira por causa das suas propriedades, que são vasodilatadoras. Isso significa que ela aumenta o calibre dos vasos sanguíneos, possibilitando a passagem de mais sangue de uma só vez, o que reduz a pressão com que o sangue corre pelos vasos.

Além de reduzir a pressão, isso ajuda a dissipar mais calor e reduzir a temperatura corporal. Essa combinação de fatores ajuda na indução do sono, diminuindo o tempo que as pessoas levam pra começar a dormir.

Alivia o jetlag

O jetlag é uma descompensação que sofremos ao passar por diferentes fusos horários. Ele pode causar enjoos, irritação, fadiga, insônia, entre outros. Isso acontece por causa de uma dificuldade de adaptação ao horário. Quem viaja com frequência, como pilotos de avião e comissários de bordo, tem que lidar com isso diariamente.

Como o uso de melatonina ajuda a regular o ciclo de sono e vigília, facilita a adaptação ao novo fuso e amenizando os sintomas de mal estar. Então, pra quem quer aproveitar uma viagem de férias tranquila, conhecendo países distantes, é interessante levar a melatonina. Converse com seu médico e veja as possibilidades pra você.

Ajuda na prevenção do câncer

Pesquisadores têm estudado o efeito da melatonina no combate ao câncer, como um auxiliar do tratamento. Um dos argumentos que explica isso é que, durante o sono, acontece um controle das novas células criadas pelo corpo, conferindo se elas estão funcionando como deveriam.

Esse controle, no caso, pode ser capaz de impedir o aparecimento de tumores, uma vez que, tomando melatonina, os pacientes podem dormir melhor e ter esse controle ajustado, combatendo as células cancerígenas.

Isso ainda não pode ser provado, pois ainda estão sendo feitos testes em humanos e são necessárias mais pesquisas pra chegar a uma conclusão.

Estudos feitos em camundongos têm mostrado que a melatonina pode ajudar na quimioterapia, amenizando os efeitos colaterais, o que melhora a qualidade de vida do paciente. Ainda faltam estudos em humanos pra confirmar que ocorre o mesmo processo com a gente.

Ajuda pessoas com autismo

A maior parte das crianças com autismo produz pouca melatonina. Por causa disso, elas apresentam muita dificuldade pra adormecer ou dormir durante a noite toda. Nesse contexto, o sono desregulado impacta o comportamento das crianças, mas a suplementação pode ajudar a melhorar o sono e, com isso, o comportamento.

Umas das dificuldades é encontrar a dosagem ideal e um suplemento de confiança. Muitas cápsulas vendidas não passam por um controle rígido, podendo apresentar outras substâncias junto com a melatonina. A melhor solução por enquanto é o suplemento manipulado.

Contribui para o tratamento de SOP

A melatonina influencia diversos hormônios no nosso corpo, inclusive os relacionados à síndrome dos ovários policísticos. Essa ligação entre melatonina e o estradiol e insulina pode trazer benefícios no tratamento da síndrome.

Atualmente, os cientistas estão estudando e focando as pesquisas na interação dos hormônios pra verificar como elas acontecem. Entendendo a relação entre os hormônios, vamos poder entender melhor como a melatonina atua na síndrome e como ela pode beneficiar as mulheres que têm essa doença.

Alivia a enxaqueca

Em casos que a enxaqueca é causada por distúrbios do sono ou do ritmo biológico, o tratamento com melatonina tem apresentado ótimos resultados. Ela tem sido estudada em casos de pacientes que usam o tratamento comum, com analgésicos e outras terapias, que não surtem muitos efeitos.

Nos casos em que a enxaqueca não está relacionada aos distúrbios do sono, tomar melatonina não vai alterar o quadro. Nesse caso, pode inclusive trazer prejuízos, pois o corpo vai entender que não precisa produzir mais a quantidade necessária por dia. Assim, a pessoa passa a ficar dependente da suplementação.

Auxilia no tratamento do Parkinson

Uma das maiores queixas e dificuldades dos pacientes com Parkinson é a dificuldade para dormir. A melatonina ajuda nesse processo, diminuindo o tempo para adormecer. Outro auxílio importante e que ainda tem sido estudado é que a melatonina parece diminuir os sintomas motores.

Um estudo feito com portadores da doença verificou que a rigidez e os tremores diminuem com o uso dela, aumentando a qualidade de vida, a independência do paciente e a sensação de bem-estar.

O que podemos ver sobre os benefícios da melatonina é que todos eles estão relacionados ao sono. Isso mostra que ela não é nenhuma substância mágica, com poderes milagrosos, mas necessária para o bom funcionamento do corpo.

4. O que pode alterar a produção natural do hormônio do sono?

À medida em que envelhecemos, o ciclo circadiano se altera. Uma dessas alterações acontece no período de sonolência, quando o tempo de sono diminui. Por isso, pessoas mais velhas costumam ter mais dificuldades pra dormir e precisam de menos tempo de sono.

A queda na secreção do hormônio na velhice acontece pela calcificação da glândula, comprometendo sua capacidade de secreção. Além do envelhecimento, outros fatores podem alterar a produção de melatonina: o estresse, o uso de alguns medicamentos e a exposição à luz.

Nos tempos modernos, um dos principais problemas relacionados à produção de melatonina é a exposição à luz. A luz artificial, de lâmpadas ou de aparelhos eletrônicos, altera o ciclo circadiano. Ficamos cada vez mais tempo expostos à iluminação, diminuindo o tempo de produção e ação da melatonina.

A luz conhecida como luz azul é a que mais inibe a produção e secreção de melatonina. Essa luz é a mais comum nas lâmpadas de LED, tablets, smartphones, computadores e outros aparelhos eletrônicos.

Por isso, na hora de dormir, apague todas as luzes, desligue os aparelhos eletrônicos (televisão, computador, celular, tablet e outros). Ao dormir com luzes acesas, a produção e liberação de melatonina fica prejudicada, o que leva a noites mal dormidas, insônia e outros distúrbios do sono.

Outra coisa que afeta a produção de melatonina é a interação com outros medicamentos e substâncias. Da mesma maneira que ela pode influenciar uma série de hormônios no nosso corpo, ela também é influenciável. Remédios como o propranolol podem inibir a produção dela. A cafeína e o álcool também interferem.

Pessoas com algum nível de cegueira também apresentam alterações na produção de melatonina. Qualquer nível de comprometimento em enxergar a luz e diferenciar períodos de luz e escuridão alteram o relógio biológico, o que desregula o sono e outras funções do organismo, diminuindo a qualidade de vida.

5. Quando e como tomar melatonina?

A melatonina pode ser tomada na forma de spray ou comprimidos. O uso pode ser feito por poucos dias, como uma ajuda pra regular o relógio biológico. 

Não é indicado tomar os comprimidos por muitos dias seguidos, pois o corpo pode entender que não precisa produzir mais a quantidade necessária. Caso isso aconteça, o nível de melatonina no corpo diminui e você vai sofrer com os sintomas disso.

A recomendação é tomar uma hora antes de dormir. Pra aproveitar melhor o efeito dela, é também é recomendado diminuir as luzes e se preparar pra dormir. Afinal, não adianta tomar uma dose de melatonina e continuar trabalhando, fazendo várias coisas ao mesmo tempo, porque desse jeito você envia sinais contrários para o corpo.

É importante também prestar atenção às interações medicamentosas. Antes de tomar melatonina, converse com seu médico sobre qualquer medicamento que você use constantemente. Ele vai fazer uma avaliação pra determinar se você realmente precisa da suplementação e, se for o caso, a quantidade necessária. Nunca use nenhum tipo de medicamento por conta própria.

Cuidados a serem tomados

Como todo medicamento, a melatonina sintética tem efeitos colaterais. Seus efeitos são reduzidos em relação a outros medicamentos para dormir, mas podem acontecer.

Diferente da melatonina produzida pelo nosso corpo, que não causa nenhum efeito colateral, quando tomada em doses elevadas, a sintética pode causar náuseas, fragmentação do sono, pesadelos, tontura, sonolência excessiva durante o dia, entre outras coisas.

Ela é contraindicada pra mulheres grávidas, lactantes e pessoas com alergias a algum componente da fórmula. Pra pacientes com menos 18 anos, é preciso avaliação cuidadosa e atenção à quantidade tomada. 

Outro ponto que precisa de atenção é a qualidade do remédio. No Brasil, a venda de melatonina é controlada pela Anvisa. Até pouco tempo, ela era proibida e hoje é permitida apenas nas farmácias de manipulação.

Por isso, se o médico prescrever melatonina e você decidir comprar, preste muita atenção na qualidade e na procedência das opções de suplementos. Sempre pesquise sobre a marca e controles de qualidade adotados antes da compra, pra não correr nenhum risco.

Resumindo o que vimos neste artigo, a melatonina é um hormônio essencial ao bom funcionamento do nosso corpo. Além de ser responsável pelo controle do nosso relógio biológico, ele interage com outros hormônios e desempenha outras funções. Por isso, antes de consumir qualquer tipo de suplementação, procure um médico e avalie a real necessidade dela.

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