A relação entre açúcar e atividade física costuma ser controversa. Para quem treina, é comum surgir a ideia de que o açúcar deve ser eliminado da alimentação para preservar a saúde ou alcançar melhores resultados. Mas a necessidade de restringir esse nutriente depende muito mais do contexto em que ele aparece.
Açúcar não precisa ser proibido
A nutricionista esportiva e clínica Nathalia Schnaak afirma que “quem pratica atividade física não precisa evitar completamente o açúcar. O mais importante é diferenciar o açúcar naturalmente presente nos alimentos, como frutas e leite, dos açúcares adicionados a produtos e preparações”.
Sim, nem todo açúcar presente na alimentação tem o mesmo significado nutricional:
- Frutas e leite, citados como exemplo pela especialista, contêm açúcares naturalmente presentes e também fornecem outros nutrientes importantes para o organismo. As frutas ainda oferecem fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos;
- Já os açúcares adicionados aparecem em produtos e preparações e fornecem principalmente energia, com menor valor nutricional.
Logo, a escolha dos alimentos e a composição da dieta como um todo importam mais do que simplesmente classificar o açúcar como permitido ou proibido.
Quando o açúcar pode ter uma função no exercício?
Durante exercícios prolongados ou de alta intensidade, o organismo pode precisar de fontes de energia que sejam facilmente assimiladas. Nessas situações, carboidratos de rápida absorção, como o açúcar, podem ajudar a sustentar o fornecimento de energia durante o exercício e contribuir para a reposição do glicogênio muscular depois da atividade.
Porém, a estratégia não significa que toda pessoa fisicamente ativa precise consumir açúcar antes ou depois de treinar para ter desempenho ou recuperação adequados: “A necessidade depende do tipo e da duração do exercício”, explica a profissional.
O excesso pode comprometer os resultados?
O principal problema surge quando os açúcares adicionados ocupam um espaço excessivo na alimentação e, para quem busca emagrecimento, por exemplo, esse consumo pode aumentar a ingestão calórica e dificultar a criação do déficit necessário para a perda de peso.
A qualidade nutricional da dieta também pode cair quando alimentos ricos em açúcar adicionado substituem opções mais nutritivas. Para quem busca ganho de massa muscular ou melhora do condicionamento, esse desequilíbrio pode reduzir a presença de nutrientes importantes para esses objetivos. “O problema não é o açúcar isoladamente, mas quando ele ocupa o lugar de alimentos que fornecem proteínas, carboidratos de melhor qualidade, fibras, vitaminas e minerais”, destaca Nathalia.
Como consumir açúcar de forma equilibrada?
Por fim, para quem pratica atividade física, não existe necessidade de transformar o açúcar em um alimento proibido. Alimentos in natura podem fazer parte da alimentação normalmente, enquanto os açúcares adicionados exigem mais moderação, principalmente quando aparecem em alimentos com baixo valor nutricional e sem uma função específica na estratégia alimentar.
Em determinadas modalidades e situações, eles podem até ser utilizados de forma estratégica. Fora desses contextos, porém, não é necessário incluí-los apenas por praticar atividade física.
Assim, em vez de cortar o açúcar indiscriminadamente, vale olhar para a alimentação como um todo e entender o papel que cada alimento ocupa na rotina. A escolha deve considerar o objetivo, o exercício praticado e as necessidades individuais.